Todos os anos, temos alunos que nos fazem buscar mais e mais conhecimento para que possamos acompanhá-los. Alguns são bem difíceis e nos desafiam muito mais, todos os anos nos apaixonamos por eles. Cada um com suas dificuldades, seus encantos, suas maneiras ( ou falta delas ), seus hábitos ( ou sem). Todos vindo de famílias diferentes, educações diferentes, criações mais rígidas, com mais liberdade e até sem criação nenhuma. E são estes que estão na vida lutando por si mesmos que nos conquistam mais, porque estes não têm em casa o carinho, o cuidado e nem o respeito.
Hoje, um destes lutadores me levou a pensar mais uma vez, nas relações de professores e alunos.
Os assuntos de casa, vêm sempre pra sala de aula, o diálogo entre colegas que moram próximos e convivem com as mesmas dificuldades, acaba por tornar-se uma fonte de desabafo para muitos. E o assunto surgiu " Minha mãe me bate quando...", " Meu pai me bateu porque... " e um deles disse " Minha mãe não me bate mas me chama de infeliz. Eu não moro com ela, né sora? Moro com a minha tia mas quando ela me vê, chama assim : Ô infeliz, vem aqui. " Ela pode não bater nele mas fere muito mais com seu desprezo e desamor.
Infeliz é ela, pensei eu. Confesso que pensei outras coisas também...melhor não comentar.
Nós professores, somos muitas vezes a única fonte de carinho que traz tranquilidade para alunos como este.
Temos feito nossa parte. Eu tenho feito. E conheço quem também faz. Não é não, Janice Sanson, Liliane Alves e Nalu Bozza ?

